A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença inflamatória crónica e degenerativa. É uma das doenças mais comuns do Sistema Nervoso Central (SNC) e a principal causa de incapacidade neurológica nos adultos jovens.

O que acontece nesta doença é que o sistema imunitário não consegue distinguir as células do seu próprio organismo, de células estranhas ao corpo e começa a atacar os seus próprios tecidos, sendo este o motivo pelo qual se considera a EM uma doença imunomediada. Um dos principais alvos deste ataque é a mielina, uma camada de gordura que protege e envolve as fibras nervosas e que ajuda na transmissão de mensagens a diversas partes do corpo. Destes ataques resultam cicatrizes que se agrupam em estruturas conhecidas como áreas de «esclerose», por vezes denominadas igualmente por «placas» ou «lesões». Com a progressão da doença, as lesões atingem milhares de fibras nervosas, afetando profundamente a transmissão das mensagens ao organismo. O nome de EM descreve então o processo de multiplicidade e aleatoriedade com que estas estruturas aparecem dispersas pelo cérebro, tronco cerebral, medula espinhal e nervo óptico.

Na EM, a inflamação danifica ou destrói as bainhas de mielina das células nervosas, sendo este o motivo pelo que se considera esta doença como “desmielinizante”. Os axónios que ficam sem mielina deixam de poder conduzir adequadamente os impulsos nervosos e isso origina os sintomas neurológicos normalmente sentidos durante um surto de EM. Com o passar do tempo, é esta lesão axonal que justifica o carácter degenerativo (ou progressivo) atribuído à EM. Uma vez que a localização das regiões de desmielinização do SNC é imprevisível, a natureza dos défices neurológicos associados aos surtos pode ser muito diversa.

 

SURTO: O QUE É?

Um surto é um dos sinais distintivos da Esclerose Múltipla (EM). Por definição, é a «ocorrência não provocada e não antecipada de um novo sintoma ou recorrência de um sintoma antigo, com um período de duração superior a 24 horas». Durante um surto os sintomas desenvolvem-se normalmente ao longo de alguns dias, permanecem constantes também durante dias ou semanas, diminuindo lentamente ao longo de um período de aproximadamente um mês.

A EM é uma doença com elevado grau de imprevisibilidade. A progressão, o tipo, a gravidade dos sintomas ou danos subsequentes diferem de pessoa para pessoa, sendo muito difícil perceber quais as pessoas em que a doença irá progredir para uma forma mais avançada ou quais as que irão permanecer estáveis. A boa notícia é que apesar da evolução da doença variar muito de pessoa para pessoa, a maioria dos indivíduos com EM pode esperar uma vida normal ou muito próxima do normal. A medicação é uma grande ajuda no objetivo de viver uma vida plena e ativa, pois além de aliviar muitos dos sintomas consegue, muitas vezes, abrandar a progressão da doença.
 

EVOLUÇÃO DA ESCLEROSE MÚLTIPLA

Não existe um padrão evolutivo homogéneo da Esclerose Múltipla (EM), mas alguns fatores desempenham um significativo papel no seu percurso, a longo prazo. Há alguns fatores preditivos de um prognóstico favorável:

  • Perturbações sensitivas ou da visão como sintomas iniciais;
  • Remissão completa da sintomatologia após os surtos;
  • Ausência de incapacidade após um período de cinco anos.

Apesar de sobejamente conhecida e estudada, ainda se desconhece o que desencadeia a doença. Sabe-se, porém, que existem fatores (possíveis causas) que podem desencadear esta resposta inflamatória:

  • Causa genética – Não existe evidência científica conclusiva e que permita confirmar a hereditariedade da EM. No entanto, a doença pode ocorrer entre membros da mesma família, o que pode indicar essa ligação genética. O risco de filhos e irmãos desenvolverem a doença é relativamente baixo, com uma probabilidade de 96% a 98% de um parente direto não ser afetado pela doença.
  • Causa ambiental – existe uma convicção generalizada de que os fatores ambientais desempenham um importante papel no desencadear da EM (e aqui inclui-se o nível de vitamina D, o tabagismo e os hábitos alimentares, por exemplo).
  • Causa viral – A hipótese de que um vírus específico possa estar relacionado com o desenvolvimento de EM não passa de uma teoria, não existindo evidência científica que a comprove de forma conclusiva.