Iniciar o tratamento

É frequente que as pessoas com EM se questionem sobre a necessidade de iniciar tratamento imediatamente após o diagnóstico, especialmente se os seus sintomas melhoraram, estão a ser vigiados ou se aparentemente se sentem de boa saúde. Embora seja compreensível alguma hesitação na toma de qualquer medicamento, a verdade é que existe evidência científica das vantagens do tratamento precoce e, de um modo geral, os médicos especialistas concordam que, na maioria dos casos, é importante tratar a EM com uma terapêutica eficaz, assim que é confirmado o diagnóstico.

Sabe-se que os danos no sistema nervoso ocorrem muito cedo no processo da doença e, uma vez que estes são muitas vezes «silenciosos», podem passar vários anos até que os sintomas se desenvolvam totalmente. Iniciar o tratamento precocemente pode assim minimizar os danos, atrasando a progressão da doença.

O tratamento com medicação tem várias vertentes, que incluem: 1) o tratamento dos surtos, que visa uma rápida recuperação dos sintomas agudos e que, quando indicado, consiste geralmente na administração de corticoides em altas doses; 2) o tratamento com fármacos modificadores da doença (FMD), que pretendem induzir uma alteração no curso natural da doença, diminuindo a sua atividade e progressão; 3) e o tratamento de sintomas crónicos específicos (tratamento sintomático).

Os médicos especialistas geralmente recomendam o tratamento da EM com FMD assim que exista confirmação do diagnóstico. Estes medicamentos diminuem a probabilidade de ter surtos, de ter novas lesões na ressonância magnética e de acumular sintomas ou incapacidade relacionada com a doença. O tratamento com FMD desde o início pode prevenir processos inflamatórios que conduzem à desmielinização e danificação irreversível dos axónios. Os FMD tentam portanto prevenir danos irreversíveis no sistema nervoso central, diminuindo assim a probabilidade de evolução para EM Secundária Progressiva, uma fase tardia da doença em que a incapacidade se acumula progressiva e gradualmente.

 

Como identifico um surto?

Não há forma de prever a ocorrência de um surto, que pode ser diferente dos anteriores, com os mesmos ou novos sintomas, com maior ou menor intensidade.

De uma forma geral, os sintomas mais comuns são alterações visuais, da sensibilidade, fraqueza muscular de um ou mais membros, problemas de equilíbrio,  vertigens/tonturas, problemas da fala, da deglutição, cansaço ou problemas cognitivos, nomeadamente de concentração e/ou memória.

Sabe-se que durante um surto os sintomas geralmente se desenvolvem no decorrer de alguns dias, permanecendo constantes durante três ou quatro semanas e desaparecendo depois em cerca de um mês. Durante este período de tempo, a pessoa recupera total ou parcialmente destes sintomas agudos. Por definição, para se considerarem dois surtos distintos num curto espaço de tempo, é necessário que entre o início de ambos exista um intervalo de 30 dias.

Além de tomar a medicação, evitar o tabaco e o consumo excessivo de álcool, cuidar da saúde em geral, relaxar e dormir bem são fatores que podem ajudar a prevenir novos surtos ou a acumulação de incapacidade.

 

Fontes:

  • Multiple Sclerosis Trust (https://www.mstrust.org.uk/)
  • Livro “O ABC da Esclerose Múltipla”, de Catarina Fernandes, Celena Veloso Daniela Leal e Maria José Carvalho.

 

PT/NONNI/0719/0055, aprovado em 07/2019

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