Aprender a lidar com sintomas físico-sensitivos

As perturbações vesicais e intestinais, bem como na vida sexual, podem provocar falta de autonomia e de autoestima, com impacto ao nível social, profissional e familiar. Felizmente, e a par da utilização de fármacos existem intervenções não medicamentosas que podem ser adotadas.

 

Perturbações na eliminação vesical e intestinal

Estes tipos de desordens podem provocar falta de autonomia e de autoestima, com impacto ao nível social, profissional e familiar, diminuindo a qualidade de vida.

  • Alterações urinárias

Pode ser indispensável executar um plano de cuidados direcionado a cada situação, que deve integrar o ensino para a mudança de comportamentos, a reabilitação, os fármacos ou intervenção cirúrgica.

Em paralelo com os tratamentos farmacológicos, simples alterações de comportamentos podem atenuar perturbações urinárias, tais como:

  • Alteração dos hábitos alimentares e da ingestão de líquidos;
  • Ingestão hídrica adequada com 1,5 L a 2 L de água por dia;
  • Treinar micções periódicas;
  • Restringir as bebidas gaseificadas, cafeina e álcool;
  • Evitar o consumo de citrinos e o consumo de tabaco;
  • Reforçar os cuidados de higiene para prevenir as infeções comuns às mulheres;
  • Educar para o auto esvaziamento vesical intermitente, no caso de retenção urinária;
  • Treinar o reforço da musculatura do pavimento pélvico;
  • Colocação de um dispositivo neuro estimulador.

 

Alterações intestinais

Os procedimentos obedecem à etiologia, gravidade, duração e queixas. É essencial fazer ensinos sobre como treinar o intestino.

Tratamento da obstipação:

  • Alteração da dieta, com ingestão adequada de fibras e líquidos;
  • Prática de exercício físico adaptado a cada condição física;
  • Alteração do estilo de vida;
  • Ir à casa de banho sempre no mesmo horário (15 a 45 minutos apos as refeições);
  • Recurso a medicação;
  • Pode ser necessária a remoção manual de fezes.

Como perturbação menos frequente, mas importante, o tratamento da diarreia não é específico, mas existe um conjunto de cuidados para minimizar esta queixa, como:

  • Ingestão de refeições leves;
  • Utilização de alimentos pobres em fibras e de fácil digestão;
  • Evitar café, chá preto, bebidas alcoólicas, refrigerantes com cafeína e chocolate, pois estimulam o peristaltismo;
  • Tratamentos farmacológicos.

 

Disfunção sexual

A sexualidade é parte integrante da vida e contribui para o equilíbrio físico e psicológico. Segundo a Organização Mundial de Saúde, “é uma energia que nos motiva a procurar o amor, contacto, ternura, intimidade, que se integra no modo como nos sentimos, tocamos e somos tocados”. As pessoas com EM têm um desvio do seu modelo normativo de sexualidade, pelo que se torna necessário um reajuste para a continuidade de uma sexualidade plena e saudável.

A disfunção sexual exprime-se por um conjunto de problemas comuns ao homem e à mulher e, por dificuldades mais próprias do homem. É necessário que os problemas, dúvidas e questões sejam verbalizados sem tabus.

A par da utilização de fármacos existem intervenções não medicamentosas que podem ser adotadas:

  • Utilizar lubrificantes vaginais;
  • Usar dispositivos de estimulação;
  • Reduzir o consumo de estimulantes, como por exemplo o café;
  • Escolher a posição adequada e a altura do dia com maior energia;
  • Esvaziar a bexiga antes da atividade sexual;
  • Reduzir a ingestão de líquidos;
  • Se usar algália, a mulher deve conduzi-la para a frente para permitir a penetração;
  • No homem algaliado, este deve de colocar o cateter ao longo do pénis e segurá-lo com o preservativo.

A combinação entre o suporte afetivo, emocional e os cuidados descritos permitem o equilíbrio da disfunção sexual, possibilitando uma vida plena de bem-estar e de bons cuidados, mantendo a qualidade de vida desejada.

 

Bibliografia:

  1. Enfermeiros de Portugal. Enfermagem Em Esclerose Múltipla, cuidar da pessoa com Esclerose Multipla-Novartis, pg.83-202.
  2. Fernandes,C., Veloso,C., Carvalho,M.J.,: (2018) O ABC da Esclerose Multipla, o seu apoio a cada momento, pg 47- 48.
  3. Soares,M. de La Salete (2006) pg. 44-48.

Fernández,O. ,Fernández,V.E., Guerrero,M., Esclerosis Múltiple

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