O que esperar: Resultados e Expetativas

Os tratamentos para a EM progrediram consideravelmente devido ao desenvolvimento de novos medicamentos que demonstram resultados positivos, especialmente na forma surto-remissão da doença. Por esse motivo, é possível esperar um aumento da qualidade de vida, em alguns casos justificando-se mesmo a expetativa de vir a ser livre de sintomas.

Medicamentos Imunomoduladores

São chamados de medicamentos modificadores da doença (MMD) porque, efetivamente, alteram o seu curso, particularmente nas formas recidivantes da doença, incluindo:

  • redução da frequência e gravidade dos surtos;
  • redução do desenvolvimento de lesões cerebrais, como identificado por ressonância magnética nuclear e, para alguns MDD, redução da progressão da incapacidade.

Como o nome indica, modulam ou modificam os processos imunológicos alterados e têm um efeito corretivo sobre o sistema imunitário. Os interferões, pequenas proteínas solúveis ou glicoproteínas que, como «substâncias mensageiras», modulam as respostas imunitárias, pertencem a este grupo de medicamentos, tal como o acetato de glatirâmero.

 

Medicamentos Imunossupressores

Tal como na artrite reumatóide e na psoríase (que constituíram modelos em que esta estratégia de tratamento foi pensada e executada), esta classe de fármacos tem demonstrado ser potencialmente benéfica no controlo da progressão da EM.

Funcionam suprimindo a capacidade do corpo em gerar respostas imunológicas, sendo habitualmente utilizados quando a doença está a progredir, apesar do tratamento imunomodulador.

 

Medicamentos de Imuno-reconstituição

São terapêuticas imunossupressoras com períodos de tratamento curto e que resultam no controlo da doença por períodos mais prolongados. Atuam suprimindo o sistema imunitário durante um determinado período de tempo, o que se traduz num controlo da doença por um período seguinte, mesmo quando não existe supressão do sistema imunitário.

Esse processo é realizado pela redução linfócitos T e B, células que quando passam para o sistema nervoso central são responsáveis pela inflamação, desmielinização e neurodegeneração.

 

Corticosteróides

Os corticosteroides são medicamentos anti-inflamatórios habitualmente usados para o tratamento de um surto. Estes são administrados oralmente ou por via intravenosa. Contudo, o tratamento contínuo durante vários meses com doses baixas de uma preparação de “cortisona” não é geralmente recomendado, uma vez que esta abordagem não terá qualquer influência a longo prazo sobre a doença e pode resultar em efeitos secundários graves. Entre esses, a descalcificação prematura dos ossos, o desenvolvimento anómalo da gordura corporal, opacidades do cristalino, pressão arterial elevada e diabetes. A curto prazo, podem ocorrer alterações psicológicas, desde a exaltação a sintomas de depressão, sentimentos de agitação e, ocasionalmente, perturbações no sono. Estes sintomas desaparecem uma vez terminado o tratamento.

 

Tratamento Sintomático

Embora o tratamento dos sintomas concomitantes possa não alterar a evolução da EM, este deve ser tão eficaz quanto possível e melhorar ou eliminar os problemas comuns, nomeadamente:

 

  • Espasticidade

Alteração motora que se carateriza por um aumento da tensão muscular, quase sempre acompanhada de fraqueza. As pernas são mais frequentemente afetadas e, consequentemente, a marcha é prejudicada. Em alguns casos, os medicamentos antispásticos podem melhorar o movimento. Mas, estes têm que ser administrados com precaução e especial atenção à dosagem, pois a melhoria da espasticidade poderá tornar mais nítida a fraqueza muscular. Além disso, poderá ser necessário preservar um certo grau de espasticidade «residual» para assegurar que a pessoa continua a poder estar de pé, como acontece, por exemplo, quando a fraqueza muscular afeta os membros inferiores.

 

  • Ataxia

A perda de coordenação motora (ataxia) está entre os sintomas mais frustrantes e resistentes à terapêutica na EM. A fisioterapia tem um efeito muito limitado e a terapêutica medicamentosa é geralmente ineficaz.

Em alguns casos de tremor intencional particularmente acentuado, poderá ser realizada uma intervenção cirúrgica estereotáctica em áreas cerebrais específicas (talamotomia) existindo alguns centros de neurocirurgia especializados neste domínio. O benefício é variável e as complicações não são menosprezáveis. Uma outra intervenção cirúrgica possível é a estimulação talâmica, que poderá ser tanto ou mais efetiva do que a anterior e com menos efeitos secundários.

 

  • Fadiga

No caso do cansaço específico associado à EM, é recomendada a adaptação ao esforço físico, assegurando que o doente descansa e dorme o suficiente.

 

  • Depressão

Quando o apoio de familiares e amigos não for suficiente para ajudar a ultrapassar a depressão ligeira, pode ser necessário o tratamento com medicação adequada à situação. Já nos casos de depressão grave, deve recorrer-se a ajuda de um profissional, sob a forma de psicoterapia ou tratamento farmacológico. Estar em contacto com outras pessoas com EM num grupo de autoajuda pode ser igualmente benéfico.

 

  • Alterações urinárias

A incontinência compulsiva, caracterizada por uma vontade irresistível e incontrolável em urinar, é a queixa urinária mais comum, especialmente nas fases avançadas da doença. A frequência da vontade de urinar deve-se a uma musculatura hiperativa no mecanismo de esvaziamento da bexiga.

Apesar de parecer que poderá agravar a situação, é essencial beber quantidades adequadas de líquidos, pelo menos 1,5 litros de água por dia, fazendo-o em pequenas quantidades, uma vez que uma bexiga que encha lentamente pode acomodar mais líquido. Pode também ser útil o esvaziamento regular da bexiga, aproximadamente de 3 em 3 horas.

Por outro lado, a espasticidade ao nível dos membros inferiores pode ser acompanhada por problemas no esvaziamento da bexiga. Uma interação descoordenada dos músculos responsáveis pela abertura e fecho da bexiga bloqueia o esvaziamento deste órgão como se houvesse uma resistência. A bexiga não se esvazia por completo e fica retida uma quantidade residual de urina, que pode contribuir para um aumento da ocorrência de infeções urinárias.

Em todas as perturbações da bexiga, é importante assegurar um consumo adequado de líquidos para evitar infeções do trato urinário com todas as complicações inerentes.

X