Saiba que há determinantes de saúde  relacionadas com estilo de vida, que ao não serem adotadas, podem desencadear a probabilidade de pseudo-exacerbação do seu quadro neurológico existente, ou quando adotadas, podem contribuir para que a doença se mantenha silenciosa e não se manifeste clinicamente.

 

  • Deve evitar calor e temperaturas muito elevadas, sempre que possível afaste-se de fontes de calor diretas e muito próximas. Quando viaja, opte por horários do dia mais frescos e se possível com ar condicionado. Evite alterações bruscas de temperatura. Adeque sempre o seu vestuário ao ambiente. Lembre-se que no Verão deve trazer um agasalho, caso entre num ambiente muito refrigerado. A sauna é contraindicado, deve escolher piscinas com temperatura entre 27 – 29ºC.
  • Caso faça períodos na neve, ou esteja sujeito a temperaturas muito baixas, deve ajustar o seu vestuário e estar confortável (atenção aos ouvidos, boca e extremidades). No inverno, caso entre em ambientes muito aquecidos, retire o mais quente potente e fique com camisola ligeira.
  • Os seus contactos sociais e a sua atividade física, devem privilegiar a exposição ao ar livre e ao sol, mas nas horas adequadas. A praia, o uso do quintal, o uso da varanda, tem importância. São consistentes os estudos que referem a importância de vitamina D nesta doença. Caso opte com o seu neurologista fazer a toma oral de vitamina D, tenha em atenção que também em excesso, pode ser tóxico e ter malefícios para o rim. Para evitar essa situação, discuta com o seu neurologista se é útil verificar a titulação de vitamina D.
  • Outros estudos consistentes, demonstram benefícios, em simultâneo com o tratamento, em aderir a uma atividade física. Existem benefícios no retardar de aparecimento de sintomas, sobretudo de fadiga, alterações cognitivas, espasticidade, descoordenação e desequilíbrio. Contudo esta atividade física, caso não exista, tem que ser ajustada às circunstâncias da vida. Depende também do limiar de fadiga e treino que cada individuo já possui. De forma a evitar um aumento de temperatura excessivo, aconselha-se a não realizar exercícios de exaustão e de sudação excessiva. Se vai iniciar atividade pela primeira vez, tem que a introduzir de forma gradual. No período de ocorrência de um surto e 2 semanas após, está preconizado fazer repouso, interrompendo assim a sua atividade física. A sua equipa de EM dar-lhe-á, no seu caso, as sugestões e estratégias para a sua atividade física.
  • Aconselhe-se sobre qual o melhor tipo de exercício para si pois a prática de atividade física regular e moderada é muito importante na manutenção da boa saúde física e mental das pessoas com EM. Além de melhorar a sua qualidade de vida no geral, há evidência de que o exercício físico pode ajudar a minimizar muitos dos sintomas da Esclerose Múltipla.
  • Adote uma alimentação e hidratação saudáveis e equilibradas pois esta é a melhor forma de prevenir situações como alterações urinárias, obstipação, défice de concentração, défice de memorização, velocidade de raciocínio e de execução, fadiga e excesso de peso associados aos sinais de EM. O envolvimento de fatores nutricionais e da microbiota permanecem controversos. Mas há estudos relevantes que encontram associações entre as gorduras saturadas (nefastos) ómega3 e vitamina D (eventualmente benéficos).
  • O tabaco é um fator de risco nesta doença. Caso seja fumador, deve refletir no abandono deste hábito. Os estudos apontam para aceleramento na progressão da doença, e hipótese de não permitir que os tratamentos atuem na sua plenitude.
  • A higiene de sono é extremamente importante. A frase de Arthur Schopenhauer: o sono é para o indivíduo, o mesmo que dar corda ao relógio, pois o sono reparador, é necessário para a saúde neurológica e recuperação neuronal, e mais ainda para a pessoa com EM. Muitas das vezes, o facto de não ter um sono reparador, potencia as suas queixas cognitivas (dificuldades de concentração, desempenho e memória) e a sua fadiga para tarefas minor. Com a sua equipa, discuta com o que se possa relacionar ou a causa para a sua má qualidade de sono.
  • Não menos importante, é o tempo que dedica (no mínimo uma hora, uma vez na semana) a uma ocupação que faz de livre vontade, de forma individual, que se entrega para se recrear e entreter, após livrar-se de obrigações profissionais, familiares e sociais. Essa atividade de lazer, que na conceção grega, é um tempo para si e só seu, ao qual se dedica com prazer, tem que o deixar com um bem-estar físico e mental, e o coloca em condições de recuperação psicossomática, potenciando-lhe o aumento de qualidade de vida, melhorando o sono e a autoestima. Essa atividade não contempla uma atividade passiva (jogos e TV) e é vantajoso se estiver relacionada com a natureza. Muitas vezes há dificuldade, porque não aprendemos a estar sozinhos e a fazer algo que nos faça esquecer até de um compromisso.
  • Há determinantes que não dependem diretamente das nossas decisões, mas que pode discutir com a equipa, estratégias de forma a minimizar o impacto que têm no aparecimento de sintomas oscilantes. É a gestão de stress, período pré-menstrual e menstrual. Também sempre que tenha doenças infeciosas e com presença de febre, o quadro neurológico pode ficar mais notório

Todos estes conselhos podem ser um incentivo para a mudança, mas essa mudança tem também que ser gradual. Para gerir tudo isto, o parecer da sua equipa vai ser fundamental para estabelecer prioridades e metas. Nunca se esqueça, que o mais importante é conhecer-se, fasear e moderar as tarefas do quotidiano: parar antes de estar cansado.

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