Os tratamentos com medicamentos para a esclerose múltipla (EM) estão divididos em três grandes grupos: Os fármacos que tratam sintomas específicos, os que tratam um surto e ainda os que podem alterar o curso da doença.

  • Fármacos que alteram o curso da doença: atuam reduzindo a atividade das células do sistema imunitário responsáveis pela inflamação no sistema nervoso central.

Os medicamentos imunomoduladores, imunossupressores e de imuno-reconstituição pertencem a esta categoria e podem ser utilizados nas seguintes fases da doença:

– Na EM Surto Remissão (a forma mais comum) caracterizada por períodos de surtos seguida de períodos de melhoria (estado de «remissão»);

– Na EM Secundária progressiva, em que existe um aumento gradual e contínuo dos sintomas e do nível de incapacidade, mesmo no intervalo dos surtos.

Existe também a possibilidade de tratamento para EM Primária Progressiva, a forma mais rara da doença e que até há pouco tempo não tinha tratamentos aprovados.

  • Fármacos que tratam um surto: têm como objetivo acelerar e melhorar a recuperação de um surto, para evitar sequelas. Incluem os corticosteroides em altas doses (conhecidos como “megadoses”) e a plasmaferese.
  • Fármacos que tratam sintomas específicos: são utilizados na terapêutica sintomática, por exemplo da espasticidade, fadiga, depressão, entre outros.

Medicamentos Imunomoduladores

São chamados de medicamentos modificadores da doença (MMD) porque, efetivamente, alteram o seu curso, particularmente nas formas recidivantes da doença, incluindo:

  • Redução da frequência e gravidade dos surtos;
  • Redução do desenvolvimento de lesões cerebrais, como identificado por ressonância magnética nuclear e, para alguns MMD, redução da progressão da incapacidade.

Como o nome indica, modulam ou modificam os processos imunológicos e têm um efeito corretivo sobre o sistema imunitário.  Como exemplo temos o interferão beta e o acetato de glatirâmero.

Medicamentos Imunossupressores

Tal como na artrite reumatoide e na psoríase (que constituíram modelos em que esta estratégia de tratamento foi pensada e executada), esta classe de fármacos tem demonstrado ser benéfica no controlo da progressão da EM.

Funcionam diminuindo a atividade do sistema imunitário, diminuindo assim a sua atividade destrutiva a nível do sistema nervoso central.  Como exemplo refere-se o fingolimod.

Medicamentos de imuno-reconstituição

São terapêuticas imunossupressoras com períodos de tratamento curto e que resultam no controlo da doença por períodos mais prolongados. Atuam suprimindo o sistema imunitário durante um determinado período de tempo, o que se traduz num controlo da doença por um período seguinte, mesmo quando não existe supressão do sistema imunitário. Pensa-se que este processo é realizado pela redução linfócitos T e B, células que quando passam para o sistema nervoso central são responsáveis pela inflamação, desmielinização e morte neuronal. São exemplos destes fármacos a cladribina comprimidos e o alemtuzumab.

Fontes:

  • Multiple Sclerosis Trust (https://www.mstrust.org.uk/)
  • Livro “O ABC da Esclerose Múltipla”, de Catarina Fernandes, Celena Veloso Daniela Leal e Maria José Carvalho.

 

PT/NONNI/0419/0015, aprovado em 04/2019

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