Qual o impacto que a esclerose múltipla tem na qualidade de vida de quem vive com este problema? Um estudo realizado em todo o Reino Unido com mais de 5.500 pessoas com a doença, o que o torna um dos maiores estudos deste tipo a nível global, confirma aquilo que os doentes e as suas famílias já sabem: que o impacto é profundo.
Embora os sintomas físicos da esclerose múltipla estejam bem documentados, o seu impacto mais vasto no bem-estar tem sido menos estudado. Para abordar esta questão, uma equipa de investigadores de Liverpool utilizou várias ferramentas de avaliação, que concluíram que:
- As pessoas com esclerose múltipla reportam pontuações de qualidade de vida significativamente mais baixas do que a população em geral em todas as faixas etárias. Por exemplo, os homens dos 30 aos 34 anos com a doença apresentaram pontuações comparáveis às dos homens saudáveis dos 80 aos 84 anos.
- Fatores como dificuldades cognitivas, fadiga, problemas na bexiga e estigma estão fortemente associados a piores resultados.
- Questões menos visíveis, como a falta de confiança para completar tarefas e produzir os resultados desejados, desempenharam também um papel significativo.
Estes são dados que destacam a necessidade de os serviços de saúde não reconhecerem apenas o impacto significativo da esclerose múltipla no bem-estar em todas as faixas etárias, mas ainda de adaptarem o apoio dado, para que este possa abordar tanto os sintomas clínicos como os fatores psicossociais.
Carolyn Young, professora clínica de neurologia na Universidade de Liverpool e autora principal do estudo, confirma que este trabalho permitiu “quantificar o quão profundamente a esclerose múltipla afeta a qualidade de vida e identificar o que é mais importante para os doentes”. A especialista manifesta ainda o seu desejo de que “estas descobertas ajudem a moldar serviços mais responsivos e compassivos para as pessoas que vivem com esclerose múltipla”.
Fonte: https://www.valueinhealthjournal.com/article/S1098-3015(25)02486-6/fulltext