Noites difíceis: o sono na esclerose múltipla

São vários e diferentes os sintomas de esclerose múltipla. Sintomas que podem ser físicos, cognitivos, emocionais e comportamentais, e que muitas vezes interferem no dia a dia e na qualidade de vida de quem vive com este diagnóstico. Não é, por isso, difícil de imaginar que a doença possa também afetar o sono. De facto, vários estudos mostram que mais de metade das pessoas com esclerose múltipla relatam interrupções significativas no sono e uma rotina irregular de descanso, um problema muito comum, embora nem sempre devidamente reconhecido e diagnosticado.

Este desafio torna-se ainda mais presente quando se junta à fadiga, uma companheira constante para mais de 90% das pessoas com esclerose múltipla. A verdade é que a relação entre o sono e a fadiga, e o impacto que ambos acabam por ter no quotidiano, tem sido motivo de preocupação crescente tanto para quem vive com a doença como para os profissionais de saúde que os acompanham.

Quando se fala em distúrbios de sono, são várias as formas em que se podem manifestar, desde dificuldade em iniciar ou manter o sono (insónia), à sonolência excessiva durante o dia (hipersónia), passando por lapsos ​​de sono (narcolepsia), apneia do sono, síndrome das pernas inquietas, entre outros. Problemas muito diferentes entre si, mas que podem, todos eles, tocar a vida das pessoas com esclerose múltipla.

 

O duplo impacto da fadiga

No que diz respeito à fadiga, o aumento de sestas durante o dia, impulsionadas por um cansaço que teima em surgir quando menos se espera, pode traduzir-se em dificuldade para adormecer à noite, sobretudo quando estas sestas são muito longas (mais de uma hora) ou acontecem demasiado perto da hora de dormir (cinco a seis horas antes).

Essa mesma fadiga pode levar a uma redução na atividade física, e sabemos que manter uma rotina regular de exercício é importante para ajudar a regular o sono. Quando isso não acontece, acaba por contribuir para os distúrbios naquelas horas que deveriam ser dedicadas ao descanso noturno.

 

Stress e ansiedade

O stress e a ansiedade estão entre as causas mais comuns de insónia na esclerose múltipla, muitas vezes associados às preocupações naturais com a doença e, sobretudo, à incerteza quanto ao futuro. Os pensamentos que, invariavelmente, acabam por centrar-se neste tema tornam o adormecer mais difícil e impedem a obtenção de um sono verdadeiramente reparador.

São também frequentes, para quem lida com stress e ansiedade, os períodos de vigília durante a noite, fazendo com que o tempo passado na cama acordado seja maior do que o tempo a dormir.

A depressão, que toca também muitas pessoas com esclerose múltipla, afetando cerca de 50%, tem como um dos seus principais sintomas a perturbação do sono, seja através de insónia ou hipersónia. E as alterações nos hábitos de higiene do sono, como não ter um horário regular para dormir e acordar, ou todos aqueles comportamentos que podem prejudicar a quantidade e qualidade do descanso (ver televisão na cama, consumir cafeína e/ou álcool, realizar atividades demasiado estimulantes imediatamente antes de dormir), são outros fatores que contribuem para estes problemas.

 

Fonte: https://cdn.sanity.io/files/y936aps5/production/c39ee198ef571b80bed64caf02460f19edb69d8e.pdf

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