A Esclerose Múltipla (EM) não define quem a vive. No entanto, acaba por moldar a forma como se vê o mundo. Foi para poder partilhar este olhar que nasceu o concurso ‘A Liberdade para Ver alÉM’, uma iniciativa que transformou experiências pessoais em arte e que está patente na Assembleia da República.
Pintar pode ser uma forma de mostrar o que não se consegue explicar por palavras, de dar cor aos medos, aos sonhos e à esperança de quem, todos os dias, vive com uma doença que se manifesta de formas tão diferentes e que instala a incerteza em tantas vidas. Foi este o desafio do concurso ‘A Liberdade para Ver alÉM’ e a resposta superou as expectativas.
Promovido pela Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM), a Associação Nacional de Esclerose Múltipla (ANEM) e pela Associação Todos com a Esclerose Múltipla (TEM), com o apoio da Merck, o concurso abriu portas à expressão criativa de pessoas que vivem com EM, cuidadores, familiares e amigos que, através da pintura, foram convidados a explorar o seu mundo interior.
As obras selecionadas dão corpo a uma exposição patente na Assembleia da República, onde estarão expostas, de 28 de maio a 13 de junho de 2026, estas diferentes formas de ver e viver a doença. A inauguração, a 28 de maio, que contou com a presença do Presidente da Comissão Parlamentar de Sáude, Dr. Filipe Neto Brandão, e de vários Deputados, decorreu em antecipação ao Dia Mundial da Esclerose Múltipla, que este ano tem como tema a importância do diagnóstico precoce.
Mais do que arte: um momento de sensibilização
Esta exposição é, também, um espaço de informação e sensibilização. Porque falar de Esclerose Múltipla é falar de uma doença neurológica crónica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. E se a doença em si já representa um desafio enorme, o caminho até ao diagnóstico pode ser igualmente difícil. São várias as barreiras significativas que impedem ainda que muitos possam dar nome aos sintomas que os impactam de forma atempada, e que vão desde a falta de acesso a especialistas e meios de diagnóstico, até ao desconhecimento dos sintomas por parte dos próprios doentes e dos profissionais de saúde.
Mas um diagnóstico tardio tem consequências reais: atrasa o início do tratamento, permite uma maior progressão da doença e compromete a qualidade de vida de quem a tem. Por isso, eliminar estas barreiras globais ao diagnóstico da EM é uma prioridade e uma causa que esta exposição também quer ajudar a colocar em evidência.