Prevenir a esclerose múltipla: de ambição a prioridade global

E se pudéssemos prevenir a esclerose múltipla (EM)? O que há algum tempo poderia parecer ficção está cada vez mais perto de se tornar realidade, pelo menos de acordo com um conjunto de associações internacionais que se comprometem a tornar a prevenção uma prioridade global. Para tal, assinaram a Declaração de Nice, como parte da Iniciativa Global de Prevenção da EM.

A declaração nasceu de um encontro realizado em abril de 2026, em França, que reuniu organizações globais de EM em torno de um objetivo até há pouco inimaginável: prevenir a doença. O ponto de partida foi um dado revelador: em 2023, apenas cerca de 8% do investimento em investigação sobre EM estava focado na prevenção. A maior parte dos recursos continuava a chegar depois do diagnóstico, depois dos primeiros sintomas, depois do dano já feito.

A Iniciativa Global de Prevenção da EM propõe inverter essa lógica. A estratégia assenta em três frentes:

1º – Deteção precoce – Identificar marcadores biológicos precoces que permitam detetar a EM na fase mais incipiente do seu desenvolvimento.

2º – Mapeamento do risco – Compreender os fatores de risco que tornam certas pessoas mais vulneráveis, para que possam ser identificadas e acompanhadas antes do início clínico da doença.

3º – Intervenção – Conceber e conduzir estudos de intervenção que avaliem formas concretas de reduzir esse risco e prevenir a EM clinicamente estabelecida.

Por detrás da ciência, há uma aposta política. A iniciativa prevê defesa ativa junto de governos e decisores, análise do impacto económico da prevenção e articulação com outras agendas de saúde neurológica. A ideia é que prevenir a EM deixe de ser uma ambição de investigadores isolados e passe a ser uma prioridade de sistemas de saúde.

Para isso, o esforço tem de ser mais largo do que qualquer organização consegue sozinha. A iniciativa compromete-se a envolver as pessoas que vivem com a doença ou que estão em risco, porque a experiência de quem adoece não pode ser separada da ciência que tenta evitá-lo. E também investigadores, clínicos, financiadores, indústria e redes internacionais de investigação, unidos por princípios de transparência, rigor científico e comunicação responsável.

A promessa implícita é exigente: que a informação sobre prevenção chegue às pessoas de forma honesta, sem alimentar falsas esperanças, mas também sem subestimar o que, pela primeira vez, parece genuinamente possível.

 

Fonte: https://mscanada.ca/about-us/news-and-publications/ms-organisations-believe-ms-is-a-preventable-disease

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